Peru Ornamental: guia completo das variedades, criação e manejo
Todo mundo que já criou peru conhece a cena. Você entra no piquete e o macho abre: a cauda em leque, as asas raspando o chão, o peito estufado, e aquele som surdo que parece vir de dentro do peito dele. Ele gira devagar, mostrando o corpo inteiro, e não tira o olho de você.
O peru ornamental é uma ave subestimada no Brasil. A maioria das pessoas só pensa em peru no Natal, e por isso nunca reparou que existem variedades de plumagem que competem em beleza com faisão e pavão — o Bourbon Red com aquele castanho-avermelhado profundo, o Royal Palm branco desenhado de preto, o Lavender cinza uniforme.
Este guia traz o peso real de cada variedade, quantos ovos a perua põe, ração por fase, e o alerta sanitário que decide se o seu plantel vive ou morre.
As variedades e seus nomes corretos

O Sítio Voo dos Gansos trabalha com Bronze, Bourbon Red, Branco, Black, Lavanda e Tricolor. Vale saber a correspondência internacional, porque ela ajuda na hora de pesquisar:
Bronze — Standard Bronze, reconhecido pelo padrão americano desde 1874
Bourbon Red — nome já internacional, criado em Bourbon County, Kentucky, no fim do século XIX. Padrão em 1909
Branco — White Holland, padrão desde 1874. Hoje é a variedade mais ameaçada da lista
Black — Norfolk Black ou Black Spanish, padrão desde 1874. Descende dos perus mexicanos levados à Europa no século XVI
Uma correção que vale ouro: Lavanda, Lilac e Slate não são a mesma coisa
Circula muito a ideia de que Lavanda, Lilac e Slate são sinônimos. São três genótipos diferentes, e a distinção tem consequência prática direta:
Slate (Blue Slate) — gene de diluição em dose única. Cinza-aço variável, com salpicos pretos. Não fixa cor: a ninhada sai desuniforme
Lavender (Self Blue) — o mesmo gene em dose dupla sobre fundo preto. Cinza uniforme, sem salpicos. Fixa a cor
Lilac — o mesmo gene em dose dupla sobre fundo bronze. Corpo cinza claro e cauda castanho-avermelhada pálida. Também fixa a cor
Como identificar no seu plantel: se a ave é cinza uniforme e reproduz a cor nos filhotes, é Lavender. Se sai com salpicos e ninhada desuniforme, é Slate. Se tem cauda avermelhada, é Lilac.
Peso por variedade

Aqui está a maior surpresa para quem nunca criou peru. Ele é grande de verdade:
Bronze: macho 15,9 a 17,2 kg · fêmea 8,2 a 10 kg
Branco (White Holland): macho cerca de 15 kg · fêmea cerca de 8,2 kg
Bourbon Red: macho 14,5 a 15 kg · fêmea cerca de 8,2 kg
Black: macho cerca de 12,2 kg · fêmea cerca de 8,2 kg
Royal Palm (ornamental leve): macho 9,1 a 10 kg · fêmea cerca de 5,4 kg
Sobre altura e comprimento em centímetros: as associações padronizam peru por peso, não por medida linear. Nenhuma fonte técnica publica altura ou comprimento. Se você encontrar esses números em algum site, foram inventados.
Vida produtiva: fêmeas produzem bem por 5 a 7 anos; machos por 3 a 5 anos, e devem ser aposentados por volta dos 3.
Quantos ovos a perua põe

Ovos por ano: 30 a 50 no primeiro ano, com queda de cerca de 30% a cada ano seguinte
Cor do ovo: creme pálido a marrom médio, sempre salpicado
Peso do ovo: em torno de 79 g. Para incubação, prefira ovos acima de 70 g
Época no Brasil: aproximadamente agosto a janeiro. É ave sazonal
Primeira postura: aos 7 meses
A perua choca bem — esse é um trunfo da espécie. Cada fêmea cobre de 15 a 25 ovos por vez, e a incubação leva 28 dias. É justamente por isso que criadores usam a perua como ama para chocar ovos de outras espécies.
Proporção reprodutiva: 1 macho para 8 a 10 fêmeas. Os ovos devem ser guardados no máximo 10 dias antes de incubar, entre 13 e 18 °C.
Quer começar pelo ovo? Ovo de peru viaja bem e sai muito mais barato que ave adulta de 15 kg, que tem frete pesado. O Sítio envia ovos férteis de peru nas variedades Bronze, Lavanda, Bourbon Red, Branco, Tricolor e Black para todo o Brasil. Ver os ovos férteis disponíveis
Alerta sanitário: nunca crie peru junto com galinha
Esta é a informação mais importante deste guia. Não é exagero de precaução — é o que mais mata plantel de peru no mundo inteiro.
O peru é a espécie mais suscetível à histomoníase, doença conhecida como cabeça-preta, causada pelo protozoário Histomonas meleagridis. A ordem de suscetibilidade é: peru > pavão > galinha d'angola > galinha > faisão > codorna.
Como a transmissão funciona, e por que a regra existe:
O protozoário sobrevive dentro dos ovos do verme cecal da galinha
Esses ovos saem nas fezes das galinhas, resistem aos desinfetantes comuns e sobrevivem meses a anos no solo
Minhocas funcionam como transporte: o peru que come uma minhoca infectada ingere o verme e o protozoário juntos
A galinha é portadora assintomática — normalmente não adoece, mas contamina o solo indefinidamente. O peru é a vítima
A mortalidade em perus vai de 80% a 100%. E o dado mais duro: não existe tratamento nem vacina aprovados. Os medicamentos historicamente eficazes foram banidos em animais de produção. Prevenção é a única ferramenta disponível.
O protocolo:
Nunca aloje perus junto com galinhas, faisões ou galinhas d'angola. Instalação, piquete, equipamento e até calçado separados
Aguarde de 3 a 5 anos antes de colocar perus em área que teve galinha
Vermifugação das aves reservatório, sob prescrição veterinária
Rodízio de pastagem e evitar áreas úmidas com muita minhoca
Sinais clínicos, que aparecem de 7 a 12 dias após a ingestão: asas caídas, apatia, perda de apetite e, em fase avançada, fezes amarelo-enxofre. O nome "cabeça-preta" engana — a cianose da cabeça nem sempre acontece.
Alimentação: o segundo erro mais comum

O peru exige muito mais proteína que a galinha, e ignorar isso é o erro que mais aparece em plantel malcuidado.
Inicial (0 a 3/4 semanas): 28% de proteína bruta
Crescimento 1 (3 a 6 semanas): 26%
Crescimento 2 (6 a 10 semanas): 22%
Crescimento 3 (10 a 12 semanas): 19%
Terminação (12+ semanas): mínimo 16%
Ração inicial de galinha tem proteína baixa demais para peru. Os 18 a 20% da ração de pinto não atendem os 28% que o peruzinho precisa. O resultado é crescimento comprometido — e não se recupera depois.
Consumo: de 200 a 300 g por ave/dia na fase de crescimento. Para ave ornamental adulta em manutenção o consumo é menor, mas não encontrei dado técnico publicado — meça o do seu plantel.
Complementos: farelo de soja como fonte proteica, minerais e vitaminas além do milho, e verde fresco sempre disponível.
Manejo

Espaço por ave:
Criadeira (0 a 6 semanas): 0,09 a 0,14 m²
Crescimento (6 a 14 semanas): 0,19 a 0,28 m²
Adulto confinado: 0,28 a 0,46 m²
Voa? Depende do porte. As variedades leves voam bem — o Royal Palm é descrito como bom voador e vai empoleirar em telhado e árvore. Já o Bronze adulto é grande demais para voar. Se você cria as leves, precisa de tela alta ou cobertura.
Pastejo: Bronze, Bourbon Red e Royal Palm são forrageadores ativos e se dão bem em sistema de pasto, ajudando no controle de insetos.
Calor: o peru brasileiro precisa de sombra permanente, água fresca trocada várias vezes ao dia, galpão com pé-direito alto e ventilação de verdade. Uma orientação prática: arraçoe nas horas frescas, início da manhã e fim da tarde. E atenção redobrada com as variedades de plumagem preta, que absorvem mais radiação solar.
Os filhotes
O peruzinho é notoriamente frágil nos primeiros dias, e há dois pontos que fazem diferença:
Aquecimento: cerca de 35 °C sob a campânula, com ambiente em torno de 31 °C. Reduza cerca de 2,8 °C por semana a partir do décimo dia, até chegar a 21 °C
Ventilação junto com aquecimento. Este é o ponto que a Embrapa destaca: o filhote precisa de ambiente aquecido e arejado ao mesmo tempo. Ventilação ruim mata
Filhotes de peru são lentos para achar comida e água. Use bebedouro raso e deixe a ração em superfície visível
Solte-os em espaço maior quando atingirem cerca de 1,5 kg
Perguntas frequentes sobre o peru
Pode criar peru junto com galinha?
Não. Peru e galinha não devem dividir instalação, piquete nem equipamento. A galinha é portadora assintomática da histomoníase, a cabeça-preta, e contamina o solo por anos. No peru a mortalidade da doença vai de 80% a 100%, e não existe tratamento nem vacina aprovados.
Quanto pesa um peru adulto?
Depende muito da variedade. O Bronze adulto vai de 15,9 a 17,2 kg no macho e de 8,2 a 10 kg na fêmea. Já o Royal Palm, ornamental e leve, fica em 9,1 a 10 kg no macho e cerca de 5,4 kg na fêmea.
Quantos ovos a perua põe por ano?
De 30 a 50 ovos no primeiro ano, com queda de cerca de 30% a cada ano seguinte. Os ovos são creme salpicado e pesam em torno de 79 g. A postura é sazonal: no Brasil vai aproximadamente de agosto a janeiro.
Pode usar ração de galinha para peru?
Não como ração principal. O peru exige 28% de proteína na fase inicial, contra 18 a 20% da ração de pinto comum. Usar ração de galinha compromete o crescimento — é um dos erros mais frequentes de quem começa.
A perua choca bem?
Sim. O peru é conhecido por bom instinto de choco, e cada fêmea cobre de 15 a 25 ovos por vez. A incubação dura 28 dias. É por isso que a perua é usada como ama para chocar ovos de outras espécies, como o pavão.
O peru voa?
Depende do porte. As variedades leves, como o Royal Palm, voam bem e empoleiram em telhado e árvore — exigem tela alta ou cobertura. O Bronze adulto é grande demais para voar.
Onde comprar peru ornamental
O Sítio Voo dos Gansos cria e vende peru nas variedades Bronze, Lavanda, Bourbon Red, Branco, Tricolor e Black, além dos ovos férteis. Ovos são enviados para todo o Brasil; aves são entregues na região.
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